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Corte “trixie” é a opção curta ideal para rejuvenescer o visual depois dos 70 anos nesta primavera-verão.

Mulher sorrindo enquanto cabeleireiro corta o seu cabelo curto num salão iluminado pelo sol.

Às 10 da manhã, numa manhã suave de primavera, o salão enche-se de mulheres que se recusam a desaparecer em silêncio. Os casacos ficam dobrados no encosto da cadeira, os óculos de leitura escorregam pelo nariz e alguém se ri um pouco alto demais quando a jovem cabeleireira propõe um “visual novo e fresco”. No espelho, uma cliente de 72 anos hesita, com os dedos a seguir o contorno de um bob que usa há trinta anos. O cabelo está mais fino, a linha do maxilar mais suave, mas os olhos estão mais brilhantes do que nunca. A cabeleireira mostra-lhe uma foto num tablet: um corte curto e leve, com franja moderna e uma nuca quase esculpida. Surge um nome no ecrã: “corte trixie”. A mulher inclina a cabeça, surpreendida. O corte parece jovem, mas não ridículo. Afiado, mas gentil no rosto. Ela inspira, sorri ao reflexo e diz baixinho à cabeleireira: “Vamos ser corajosas, sim?” Algo muda na sala.

Um novo corte curto que finalmente acerta no rosto 70+

O “corte trixie” é aquele corte curto, leve e ligeiramente rapazola que se vê repetidamente em mulheres com estilo que parecem misteriosamente descansadas. Atrás é curto e limpo, os lados acompanham as maçãs do rosto, o topo mantém-se suave e um pouco mais comprido para dar movimento. Num rosto 70+, faz algo subtil e, ao mesmo tempo, poderoso: liberta o pescoço, define a linha do maxilar e volta a colocar os olhos no centro das atenções. Nada de capacetes rígidos, nada de volume “de senhora idosa” fixado com laca. O resultado parece intencional, moderno e surpreendentemente delicado em cabelo fino e grisalho.

Numa terça-feira cinzenta em Lyon, vi uma professora reformada, 74 anos, trocar o seu bob em camadas por um corte trixie. O cabelo estava tão liso e sem vida que ela se escondia sob lenços em todas as fotografias. A cabeleireira levantou a coroa, desenhou camadas suaves e afinou a nuca com cuidado. Vinte minutos depois, o lenço ficou na cadeira. Os lados curtos deixaram à vista os aparelhos auditivos sem os transformarem na estrela do espetáculo, enquanto uma franja leve suavizou as linhas da testa. Ela pegou no telemóvel, tirou uma selfie e enviou à neta: “Nova eu, quem é esta?” Essa foto teve mais reações do que as últimas cinco fotografias de férias juntas.

Há uma razão para este corte funcionar tão bem depois dos 70. O cabelo tende a ficar mais fino, perdendo densidade e direção. Os comprimentos longos abatem, e os bobs pesados puxam o rosto para baixo. O corte trixie faz o contrário: usa leveza e estrutura para simular volume. Ao encurtar a parte de trás e os lados, a cabeleireira concentra o “cheio” no topo, criando a ilusão de elevação que todas procuramos. O pescoço à mostra retira esse “peso” visual na parte de trás da cabeça, e os lados podem ser ajustados milímetro a milímetro para equilibrar papada, óculos ou uma pálpebra ligeiramente caída. Não é magia. É geometria, feita com gentileza.

Como pedir um corte trixie (e gostar mesmo do resultado)

O truque não é entrar no salão e dizer apenas “corte trixie” como se fosse uma palavra-passe. Leve duas ou três fotos que sejam a sua versão de cabelo curto: uma com mais franja, outra com mais comprimento no topo, outra com laterais mais suaves. Depois, fale do que mais a incomoda hoje: a coroa sem volume, os lados pesados, a falta de forma atrás. Uma boa cabeleireira traduz essas queixas em comprimentos e ângulos. Para muitas mulheres com mais de 70, manter uma franja um pouco mais comprida e “desfiada” e alguma cobertura à volta das orelhas faz com que o corte pareça menos radical e mais fácil de usar.

Não se sinta obrigada a ir “super curto” logo na primeira visita. Peça um corte “inspirado no trixie”: nuca suavemente curta, topo em camadas, mas com uma saída de emergência caso entre em pânico. Um centímetro extra nas laterais pode ser a diferença entre “uau, sou eu” e “quem é esta pessoa?”. Seja específica também sobre a forma de pentear. Se tem artrite ou mobilidade limitada nos ombros, diga-o. A cabeleireira pode desenhar o corte para assentar mais ou menos sozinho com uma secagem rápida e dois dedos de mousse. Sejamos honestas: ninguém faz todos os dias essas escovas complicadas.

A parte emocional muitas vezes importa mais do que a técnica. Cabelo curto aos 70 pode parecer uma declaração - e nem toda a gente à sua volta vai compreender isso no início. Pode ouvir: “Mas tinhas um cabelo tão bonito e comprido” ou “Isso não é um bocado jovem para ti?”. Ignore esse ruído de fundo. Como me disse uma cabeleireira parisiense enquanto secava, com delicadeza, a franja trixie acabada de cortar de uma cliente:

“O corte curto certo não é sobre parecer mais nova; é sobre o teu rosto alcançar quem tu já és por dentro.”

Para manter as manhãs simples, muitas mulheres com mais de 70 seguem uma rotina curta:

  • Seque o cabelo com a toalha aos toques; não esfregue.
  • Aplique uma quantidade do tamanho de uma ervilha de mousse leve de volume apenas na raiz.
  • Seque com o secador com a cabeça para baixo durante dois minutos, usando só os dedos.
  • Termine com um spray de fixação suave ou um pouco de creme de styling na franja.

Viver com um corte trixie na primavera e no verão

Depois de passar o entusiasmo inicial, começa o verdadeiro teste: este corte acompanha-a ao mercado, ao parque com os netos, a um casamento de verão, a uma onda de calor com 38°C? Para muitas, a resposta é sim. Cabelo curto e em camadas como o trixie seca mais depressa depois de um mergulho, não cola à nuca ao meio-dia e fica elegante debaixo de um chapéu de palha. Um toque mínimo de spray texturizante transforma-o de “fui passear o cão” para “pronta para um copo na esplanada” em trinta segundos. O corte levanta-se naturalmente do rosto, o que significa menos momentos a lutar com a franja ao vento.

Há algumas armadilhas. Deixar passar demasiado tempo entre cortes é uma delas. Em cabelo fino e maduro, um trixie pode perder a forma ao fim de seis a oito semanas. A nuca cresce, os lados engrossam e, de repente, está de volta ao território do “triângulo”. Pense nas idas ao salão como consultas no dentista: não são glamorosas, mas são a chave para manter tudo fácil. Seja cuidadosa também com os produtos. Ceras e óleos pesados “abatem” o corte e podem fazer sobressair zonas mais ralas. Cremes leves, espumas e sprays mantêm o movimento sem o efeito “molhado” que, em fotografias, tende a envelhecer o rosto.

Por baixo dos conselhos práticos, há algo mais íntimo a acontecer com este corte. Numa quinta-feira tranquila, uma cliente de 79 anos resumiu-o à sua cabeleireira enquanto punha batom:

“Não estou a tentar parecer ter 40. Só não quero que o meu cabelo diga que eu desisti antes de desistir.”

Muitas mulheres depois dos 70 partilham esse sentimento, mesmo que o digam de outra forma. O corte trixie dá-lhes uma maneira de o expressar com tesouras em vez de discursos. E alguns pequenos detalhes tornam o caminho mais suave:

  • Marque a primeira grande mudança para um dia calmo, não antes de um evento importante.
  • Teste como os óculos assentam com as novas laterais antes de sair do salão.
  • Peça à cabeleireira que lhe mostre uma versão de styling “do dia a dia” de dois minutos, e não apenas a secagem perfeita de salão.
  • Tire uma selfie de que goste ainda na cadeira; ela torna-se a sua nova referência.

Um corte que abre um novo capítulo, não o último

Há uma revolução silenciosa a acontecer em salas de espera e cafés: mulheres com mais de 70 já não pedem “algo para esconder a idade”. Querem movimento, leveza, um rosto que pareça continuar a dizer sim a convites. O corte trixie encaixa nessa mudança quase por acaso. É preciso sem ser rígido, curto sem ser severo, divertido sem fingir que tem menos vinte anos. Quando o vê ao vivo - cabelo branco a brilhar ao sol, pescoço livre, brincos a apanhar a luz - não grita “anti-idade”. Sussurra algo mais próximo de “ainda estou aqui”.

Todas já tivemos aquele momento em que o corte de cabelo de uma desconhecida nos fez pensar: “Se calhar eu também podia ousar.” Para muitas mulheres 70+, este é esse corte. Não resolve tudo, e não apaga os anos. O que pode fazer é redesenhar a moldura do seu rosto para que a história pareça menos sobre declínio e mais sobre presença. Uma nuca limpa, uma franja suave, um pouco de altura no topo: de repente, o espelho mostra uma mulher com planos. As amigas comentam, os netos reparam, e dá por si a ficar um pouco mais direita na fila do supermercado. O cabelo volta a crescer, claro. A confiança, quando acende, tende a durar mais.

Ponto-chave Detalhe Interesse para a leitora
Estrutura do “corte trixie” Nuca curta, laterais limpas, topo mais comprido e leve Perceber se a forma combina com o seu rosto e com a textura do cabelo
Adaptação após os 70 Franja suavizada, comprimentos ajustados à volta das orelhas e dos óculos Visualizar uma versão realista, favorecedora e assumida do corte
Manutenção diária Styling rápido, produtos leves, retoques a cada 6–8 semanas Saber o que esperar no dia a dia antes de ousar a mudança

FAQ:

  • O corte trixie é adequado para cabelo muito fino e com rarefação? Sim, pode ser ideal. Ao encurtar a nuca e criar camadas na coroa, o corte concentra volume onde mais precisa e remove peso onde o cabelo tende a abater.
  • Com que frequência devo retocar o corte trixie? A maioria das mulheres com mais de 70 sente-se melhor com um retoque a cada 6 a 8 semanas, para manter a forma limpa na nuca e evitar que os lados fiquem volumosos.
  • Um corte trixie funciona em cabelo naturalmente encaracolado ou ondulado? Pode funcionar, desde que a cabeleireira respeite o padrão do caracol e deixe um pouco mais de comprimento no topo e nas laterais, para os caracóis ganharem forma em vez de frisarem.
  • O cabelo curto vai tornar os meus traços mais duros? Não, se for adaptado a si. Contornos suaves, uma franja ligeiramente mais comprida e camadas delicadas à volta das maçãs do rosto podem suavizar linhas e destacar os olhos.
  • E se me arrepender de cortar o cabelo tão curto? O cabelo cresce, e pode começar com uma versão “trixie suave” que não seja ultra curta. Tire fotos de que goste no salão; elas orientarão a si e à cabeleireira à medida que o corte evolui.

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