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Especialistas explicam: após os 65 anos, não é preciso tomar banho todos os dias nem só uma vez por semana. Saiba com que frequência deve tomar banho para se manter saudável.

Homem idoso a ajustar o chuveiro numa casa de banho moderna, usando calções de banho, com luz natural a entrar.

A ventoinha da casa de banho zumbia baixinho enquanto Margaret, 72 anos, fitava o manípulo do chuveiro como se fosse uma decisão sobre o dia inteiro.

Os joelhos doíam-lhe um pouco, os azulejos pareciam mais frios do que no inverno passado, e ocorreu-lhe o pensamento: “Será que preciso mesmo de tomar banho hoje?” O seu médico de família já lhe tinha sugerido, uma vez, que a pele mais velha seca rapidamente. A filha continua a enviar-lhe publicações de bem-estar a pregar “banhos diários ou és pouco higiénico”. As duas coisas não podem estar certas.

A Margaret não está sozinha. Em salas de estar, lares e pequenos apartamentos na cidade, pessoas com mais de 65 anos perguntam-se, em silêncio, com que frequência devem realmente pôr-se debaixo de água. Não uma vez por dia? Não uma vez por semana? Médicos, dermatologistas e especialistas em geriatria começam a dizer algo surpreendente - e isso vai contra décadas de publicidade. O ritmo ideal é mais matizado e muito mais gentil para um corpo que envelhece.

Há um número a que os especialistas voltam sempre - e não é aquele com que a maioria de nós cresceu.

Com que frequência deve mesmo tomar banho depois dos 65?

Pergunte a dez pessoas com mais de 65 anos com que frequência tomam banho e terá dez respostas diferentes e, provavelmente, uma ou duas gargalhadas embaraçadas. Algumas cresceram com a regra rígida “uma vez por dia, sem desculpas”. Outras resvalaram para a rotina do “grande banho ao domingo à noite e está feito”. Entretanto, os especialistas em pele observam outra coisa: pele mais fina, circulação mais fraca e maior risco de quedas na casa de banho.

Para muitos idosos saudáveis, os especialistas sugerem agora duas a três duches por semana como uma boa base. Nem todas as manhãs, nem guardado para o “banho grande” semanal. Um meio-termo estável. Esse ritmo protege os óleos naturais, evita aquela sensação de pele repuxada e com comichão após água quente, e ainda mantém o odor e as bactérias sob controlo. A chave não é apenas a frequência: é a forma como esses banhos são tomados e o que acontece nos dias intermédios.

No papel parece simples. Nas casas de banho reais, é bem diferente.

Veja-se o caso de Jean, 68 anos, professora reformada, a viver sozinha num pequeno apartamento. Durante anos forçou-se a tomar banho todos os dias “para se manter fresca”, mesmo quando a artrite piorava. Começou a notar manchas vermelhas irritadas nas canelas, gretas nos calcanhares e aquela comichão invisível constante que nos mantém acordados às 3 da manhã. “Achei que era só envelhecer”, disse-me, “mas o meu dermatologista quase se encolheu quando eu disse que esfregava com água quente e sabonete todas as manhãs.”

Ele sugeriu reduzir para três duches curtos, mornos, por semana, com limpeza suave das axilas, virilhas e pés nos outros dias, ao lavatório. Em um mês, a pele parecia menos inflamada. Em três, deixou de acordar com comichão. Não cheirava mal. As toalhas mantinham-se limpas por mais tempo. E a energia para o resto do dia melhorou, simplesmente porque o banho deixou de parecer uma batalha diária que tinha de vencer.

Histórias como a da Jean começam a ecoar em consultas de Londres a Los Angeles.

Os dermatologistas explicam assim: a camada externa da pele é como um muro de tijolos colados com óleos naturais. Depois dos 65, essa “cola” fica mais fina. Duches longos e quentes, diários, com sabonete agressivo, podem remover os óleos mais depressa do que o corpo os consegue repor. Isso abre a porta à secura, microfissuras e infeções. Ao mesmo tempo, passar uma semana inteira sem limpeza permite que suor, bactérias e pele morta se acumulem em zonas quentes, onde adoram multiplicar-se.

Por isso, a higiene depois dos 65 é um exercício de equilíbrio. Água a mais, o muro quebra. Água a menos, o muro fica entupido de sujidade. O “ponto ideal” de que os especialistas falam com mais frequência é, grosso modo, dia sim dia não, ou três vezes por semana, mais lavagens focadas nos dias intermédios. O número exato varia com a saúde, mobilidade e clima, mas a ideia é a mesma: proteger a barreira cutânea, mantendo conforto social e físico.

Transformar os dias de duche num ritual seguro e amigo da pele

Assim que aceita que não precisa de um banho completo diário, o passo seguinte é fazer com que cada duche conte. Isso começa pela temperatura: morna, não a escaldar. Pense em “banho agradável no início do verão”, não em sauna com espelho embaciado. E mais curto também é melhor. Dez minutos chegam para a maioria das pessoas com mais de 65 anos; muitos enfermeiros de geriatria apontam discretamente para cinco a oito.

Concentre o sabonete nas zonas que realmente precisam: axilas, virilhas, pés e quaisquer pregas cutâneas. O resto do corpo, muitas vezes, aguenta bem apenas com água. Use um produto de limpeza suave, sem perfume, em vez daquele sabonete intenso do supermercado que deixa a pele a chiar. “Chiar” é má notícia para pele envelhecida. Seque com toques, com uma toalha macia, em vez de esfregar com força. Depois, enquanto a pele ainda está ligeiramente húmida, uma camada fina de hidratante nas pernas, braços e tronco ajuda a reter a água. É como selar os tijolos depois de limpar o muro.

Nos dias sem duche, um rápido “lavar as zonas-chave” ao lavatório mantém tudo fresco. Água morna, um pano e um pouco de sabonete suave nas áreas principais resolvem. Muitos cuidadores já usam este ritmo, mesmo que a família não fale disso. Não há medalha de saúde por aguentar um banho diário de corpo inteiro quando o equilíbrio é frágil ou o chão parece uma pista de patinagem. Limpo o suficiente, com a frequência certa é o verdadeiro objetivo da saúde depois dos 65 - não a esterilidade clínica.

Há ainda outra camada que raramente se menciona em voz alta: vergonha. Por vezes, os idosos escondem banhos “falhados”, com receio de que a família ache que “se estão a deixar”. Ao mesmo tempo, temem aquela sensação de exaustão e tontura após água quente, ou o medo de escorregar numa banheira apertada. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias aos 85 anos, sozinho, sem qualquer adaptação. Quando os especialistas falam da frequência ideal, falam tanto de segurança como de sabonete.

Barras de apoio, tapetes antiderrapantes, um banco de duche, ou até um chuveiro de mão podem transformar toda a experiência de “tarefa perigosa” em rotina gerível. Uma lavagem segura, suave, de 10 minutos, três vezes por semana, é melhor do que uma esfrega diária stressante e arriscada, que deixa a pessoa cansada demais para aproveitar o resto do dia. O corpo sente-se mais leve - e a mente também. Isso é higiene no mundo real, não num anúncio.

“Para a maioria dos idosos, prefiro ver uma higiene consistente e suave três vezes por semana do que um banho diário forçado que danifica a pele e aumenta o risco de queda”, diz a Dra. Laura Nguyen, geriatra em Brighton. “A higiene não é um boletim moral. É uma ferramenta de conforto, dignidade e saúde.”

É aqui que uma rotina simples e flexível ajuda. Muitos especialistas sugerem um padrão tranquilo como:

  • Dois ou três duches curtos por semana, em dias fixos
  • Lavagem rápida das “zonas-chave” ao lavatório todos os dias
  • Hidratante sempre que a água toca na pele, sobretudo pernas e braços
  • Lavar o cabelo uma vez por semana, duas se o cabelo for muito oleoso
  • Casa suficientemente quente; casa de banho segura, com tapete e apoios

Além disso, ouça o seu corpo e a sua vida social. Dia quente, mais suor, saída mais agitada? Acrescente um enxaguamento suave. Semana calma de inverno em casa? O ritmo dia sim dia não costuma chegar. A higiene depois dos 65 deixa de ser sobre regras rígidas e passa a ser sobre afinação - com a ciência como guia, não como carcereiro.

Uma nova forma de pensar “sentir-se limpo” depois dos 65

Todos já tivemos aquele momento em que apanhamos o nosso reflexo e nos perguntamos se ainda “parecemos frescos” o suficiente para encontrar um amigo ou abraçar um neto. A limpeza na fase tardia da vida nunca é apenas sobre bactérias. Está ligada à identidade, à independência, à memória de quando entrar no duche não exigia esforço nenhum. É por isso que a ideia do “todas as manhãs ou estás sujo” é tão teimosa, mesmo quando os joelhos, o coração ou a pele pedem claramente misericórdia.

Os especialistas que trabalham diariamente com idosos estão, discretamente, a reescrever o guião. A higiene depois dos 65 não é um retrocesso; é uma melhoria para hábitos mais inteligentes e mais gentis. Dois ou três duches ponderados e seguros por semana, apoiados por pequenos gestos diários, podem mantê-lo a cheirar bem, proteger a pele frágil e reduzir o risco de escorregadelas e arrepios. As famílias podem ajudar ao abandonar o julgamento e ao fazer uma pergunta mais suave: “Que ritmo é que te faz sentir bem?”

O mais surpreendente é o quão pessoal isto se torna. Uma pessoa de 66 anos que caminha todos os dias e vive num clima quente pode sentir-se melhor a tomar banho quatro vezes por semana. Outra pessoa de 83 anos com mobilidade limitada pode dar-se muito bem com dois banhos semanais e lavagens meticulosas ao lavatório. Não há um número mágico gravado em pedra. O que importa é que a rotina seja sustentável, segura e alinhada com um corpo que ganhou o direito de ser tratado com delicadeza. Falar disso abertamente - com médicos, cuidadores e família - é muitas vezes o primeiro passo real.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Frequência ideal Em geral, 2 a 3 duches por semana após os 65 anos, com lavagens direcionadas nos outros dias Ajuda a proteger a pele, mantendo-se limpo e socialmente confortável
Qualidade em vez de quantidade Duches curtos, mornos, sabonete suave, hidratação logo a seguir Reduz secura, comichão e pequenos problemas cutâneos frequentes
Segurança e adaptação Barras de apoio, tapetes antiderrapantes, banco de duche, chuveiro de mão Diminui o risco de quedas e torna a rotina sustentável a longo prazo

FAQ:

  • Quantas vezes por semana deve uma pessoa de 70 anos tomar banho? A maioria dos especialistas sugere cerca de duas a três vezes por semana, mais lavagem diária das zonas-chave (axilas, virilhas, pés, pregas cutâneas). Esse equilíbrio costuma manter a pele mais saudável do que um banho diário rígido de corpo inteiro.
  • É pouco higiénico os idosos saltarem o banho diário? De todo. A higiene depende da limpeza global, não de um calendário. Lavagens regulares e direcionadas, roupa limpa e roupa interior fresca contam mais do que um banho completo todos os dias.
  • Que temperatura de água é mais segura para idosos? Água morna ou ligeiramente quente é o melhor. A água muito quente remove óleos naturais e pode causar tonturas ou uma queda súbita de tensão ao sair do duche.
  • Os idosos devem hidratar a pele após cada banho? Sim. Um hidratante leve, sem perfume, logo a seguir ao duche ajuda a restaurar a barreira cutânea, sobretudo nas pernas, braços e costas, onde a secura é mais intensa.
  • Quando se deve consultar um médico por questões de higiene? Se houver infeções cutâneas frequentes, comichão intensa, fissuras abertas, odor corporal forte sem explicação, ou medo de cair na casa de banho, deve envolver-se o médico de família ou um dermatologista para ajustar frequência e métodos.

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