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Esta música explodiu na internet: a colaboração entre o rapper esdeekid e o ator Timothée Chalamet atingiu 115 milhões de visualizações em 24 horas.

Homem trabalha num computador com um software de áudio, num escritório com discos na parede e uma planta na janela.

O beat caiu às 2:07 da manhã, num quarto iluminado apenas pelo ecrã de um portátil e por um café gelado a meio.

Alguém carregou no play “só para ver qual era o hype”, a pensar ouvir trinta segundos e depois dormir. Dois minutos depois, já estava a gravar um TikTok, a fazer lip sync do refrão. Cinco minutos depois, o chat do grupo estava em chamas. Ao nascer do sol, a faixa já estava em todo o lado: stories no Instagram, threads no Twitter, áudios no WhatsApp reproduzidos em colunas fracas de telemóveis nos metros cheios.

A colaboração soava a algo que ninguém tinha pedido e, mesmo assim, parecia que toda a gente estava à espera. Um rapper em ascensão chamado Esdeekid, cru e faminto, e Timothée Chalamet, o querido do cinema indie que ninguém esperava ver a rappar a sério. O número que apareceu depois do lançamento parecia falso ao início: 115 milhões de visualizações em 24 horas. Uns chamaram-lhe “bug”. Outros chamaram-lhe ponto de viragem.

E se isto não tivesse sido um acidente?

Esta faixa acabou de rebentar com a internet - o que aconteceu, afinal?

Começou como uma experiência social disfarçada de lançamento. Uma miniatura surpresa no YouTube: Chalamet em grande plano granulado, capuz na cabeça; Esdeekid ao fundo, com aquele meio-sorriso que os artistas têm quando sabem que estão sentados em cima de algo nuclear. Sem tour de teasers, sem aquecimento em talk-shows noturnos - apenas um post curto e críptico: “Hoje.” Quatro horas depois, a notificação atingiu milhões de telemóveis ao mesmo tempo.

O primeiro milhão de visualizações chegou em menos de 15 minutos, enquanto as pessoas ainda tentavam perceber se era real ou IA. A voz do Timothée entrou no refrão sem fingir ser um rapper duro, mas inclinando-se para uma entrega ligeiramente awkward, quase conversacional. Esdeekid fez o oposto: afiado, frio, a cortar a aura brilhante da celebridade com um verso que parecia gravado numa só tomada às 4 da manhã. Soava imperfeito num mundo obcecado com o polimento.

Aqueles 115 milhões em 24 horas não foram apenas “fãs a aparecer”. Foram a prova de quão depressa a cultura se move quando os ingredientes certos colidem. Tinhas um ídolo da internet da Gen Z cujo rosto já vive em mil moodboards. Tinhas um rapper com fome, cujos números iam crescendo discretamente em playlists de nicho. Tinhas uma produção cinematográfica mas suja, perfeita para repetir em loop por baixo de edits e memes. Quando o TikTok apanhou o excerto de 7 segundos em que o Chalamet se ri a meio de uma barra, o rastilho acendeu - e o algoritmo fez o que sabe fazer melhor: amplificar obsessões.

Houve um clipe, em particular, que se tornou o motor de toda a tempestade. Uma rapariga no carro, atrasada para o trabalho, a rappar o verso do Esdeekid na perfeição e, depois, a gritar quando cai o refrão do Chalamet. Só esse vídeo passou os 30 milhões de visualizações em dois dias. Outro momento viral veio de um reel de bastidores: Timothée, com os auscultadores meio fora, a falhar uma take e a acertar logo a seguir, enquanto o estúdio inteiro rebenta a rir. Humanizou tudo. As pessoas não estavam apenas a repetir a faixa; estavam a repetir a sensação de ver alguém inesperado encontrar o seu lugar em cima de um beat.

As estatísticas acumularam-se como um placar vindo de outro planeta. #ChalametVerse e #EsdeekidVerse subiram nas tendências em 19 países. O Spotify reportou streams recorde no primeiro dia para uma collab entre um ator “não musical” e um rapper. No Twitter, threads discutiam quem “mandava” na música, linha a linha, como se fosse um combate de campeonato. E, silenciosamente, as playlists mudaram: músicas de projetos antigos do Esdeekid começaram a entrar em charts, enquanto edits de fãs com clips do Timothée em “Dune” e “Call Me by Your Name” flutuavam por cima do instrumental como videoclipes não oficiais.

A explicação não é sorte viral mística. É a forma como o fandom moderno funciona quando dois universos muito diferentes são cosidos um ao outro. Esdeekid vem das trincheiras do algoritmo: anos a lançar faixas, testar capas, aprender o que agarra nos primeiros três segundos. Chalamet traz uma moeda totalmente diferente - reconhecimento facial, ligação emocional, aquela sensação de “conhecer” um ator por o ter visto chorar, amar, perder no ecrã. Põem-se no mesmo universo e o hype não soma: multiplica.

E há ainda o facto simples de que a música bate mesmo. O refrão é curto o suficiente para ficar a ecoar na cabeça o dia todo; a mudança de beat no segundo verso do Esdeekid parece feita à medida para transições no TikTok; e as letras deixam espaço suficiente para as pessoas projetarem as suas próprias separações, glow-ups e dúvidas de madrugada na faixa. A internet não recompensa a perfeição; recompensa valor de repetição e partilhabilidade. Esta collab tornou-se, por acidente, uma aula-mestra de ambos.

Porque é que toda a gente está a falar - e o que os criadores podem aprender em silêncio

Por trás do caos, há método. O lançamento brincou com contraste: rua vs cinema, cascalho vs veludo, underground vs passadeira vermelha. Se estás a criar algo online, esta é a primeira lição escondida debaixo do ruído: junta opostos. Esdeekid não foi atrás de outro rapper com a mesma história; foi buscar um ator com uma relação completamente diferente com a fama. Essa tensão foi o que fez as pessoas clicarem por pura curiosidade.

O segundo movimento: narrativa primeiro, música depois. Antes de a maioria dos ouvintes escutar um verso completo, já tinha visto a história - fotos de estúdio, legendas do género “ninguém vai acreditar que fizemos isto mesmo”, entrevistas meio a brincar em que o Chalamet admitia estar “aterrorizado” por lançar um featuring de rap a sério. A história transforma som em acontecimento. Quando o vídeo saiu, não pareceu “uma música”. Pareceiu o próximo capítulo de uma história na qual as pessoas já estavam meio investidas, mesmo sem terem ouvido uma única barra.

Onde muitos artistas escorregam é em pensar que a viralidade é uma fórmula repetível a pedido. Não é. É mais como uma tempestade de relâmpagos à procura de um objeto metálico alto - e tu, no máximo, podes tornar-te mais alto e mais visível. Isso significa lançar em momentos de tensão cultural, quando as pessoas estão fartas do habitual e, no fundo, desejam algo ligeiramente errado, ligeiramente arriscado. O Chalamet a rappar era exatamente esse tipo de “errado” cultural. Não ofensivo - apenas inesperado o suficiente para dividir opiniões em chats de grupo e servidores de Discord durante todo o fim de semana.

Num nível mais humano, este lançamento também mostra como o público responde à vulnerabilidade. Timothée não apareceu a posar como o próximo grande rapper. Assumiu estar fora da sua praia, deixando o Esdeekid carregar o peso técnico. Essa dinâmica fez os fãs dizerem, quase de forma protetora: “Ele até esteve bem”, que é uma das frases mais poderosas no fandom moderno. Quando as pessoas te defendem em público, ficam emocionalmente investidas no teu sucesso.

Muitos criadores independentes a ver isto sentiram-se inspirados e, ao mesmo tempo, um pouco esmagados. Como competir com um nome de Hollywood a entrar casualmente no teu género e a sacar 115 milhões num dia? Sejamos honestos: não competes - pelo menos, não de frente. Moves-te de outra forma. Aprendes com o padrão sem copiar a embalagem. Colabora com alguém que o teu público não esperaria. Mostra as takes desajeitadas, não só as perfeitas. Lança quando a internet está meio a dormir, não quando toda a gente está a gritar ao mesmo tempo.

Como disse um estratega da indústria num Twitter Space ligeiramente caótico no dia seguinte:

“Isto não foi apenas o lançamento de uma música. Foi um acidente cultural controlado. Eles não lutaram contra o caos - convidaram-no.”

Escondidas no ruído estavam algumas conclusões discretas para quem tenta existir online neste momento:

  • Colide mundos de propósito – Junta públicos que normalmente nunca se cruzam.
  • Mostra as costuras – Clips de bastidores muitas vezes viajam mais do que a arte acabada.
  • Persegue momentos, não calendários – Lança quando a cultura está inquieta, não apenas às sextas-feiras.

O que este “acidente” diz sobre nós, a fama e os feeds onde vivemos

Gostamos de fingir que estamos acima do algoritmo, que não somos arrastados para frenesins coletivos por uma única faixa, um único rosto, um único refrão. Depois chega uma collab destas e, de repente, toda a gente que conheces está a discutir se o Timothée “tem o direito” de rappar ou se o Esdeekid “se vendeu” ou “finalmente capitalizou”. Debaixo desses takes quentes há algo mais frágil: pessoas a negociar o que “autenticidade” sequer significa quando cada movimento é conteúdo.

Este lançamento também pôs um holofote num novo tipo de ecossistema de celebridade. Atores já não são apenas atores; rappers já não são apenas rappers. São personagens multiplataforma, a trocar de género como quem troca de roupa. Numa semana é uma campanha de perfume; na seguinte é um verso de featuring; depois um Q&A ao vivo de hoodie no quarto de infância. O universo Esdeekid x Chalamet pareceu estranhamente íntimo para algo que somou 115 milhões num dia. Esse é o paradoxo da fama moderna: globalmente visível, localmente consumida num ecrã rachado.

Num plano mais silencioso, a faixa expôs a nossa fome por histórias que atravessam as linhas habituais. Num plano mais ruidoso, atirou gasolina para debates em curso sobre quem pode entrar no hip-hop, quem lucra, quem fica para trás. Essas não são perguntas que uma única música consiga responder. São perguntas que uma música destas consegue obrigar as pessoas a fazer em voz alta. Essa tensão é parte do motivo pelo qual os números de repetição se mantiveram altos depois do primeiro dia. As pessoas não estavam só a ouvir; estavam a escolher lados - e depois a mudar de ideias.

Alguns ouvintes viram uma jogada cínica de PR. Outros viram um risco criativo real que, por acaso, vinha embrulhado num pacote absurdamente clicável. As duas coisas podem coexistir. A cultura moderna é assim: confusa. O que fica, quando os gráficos de tendências acalmam, é uma verdade simples e quase desconfortável: a internet ainda adora ser surpreendida. E, sempre que isso acontece em escala, reescreve - nem que seja um pouco - aquilo que os artistas se atrevem a tentar a seguir.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Colisão de dois universos Rapper underground + ator A‑list com base de fãs global Perceber porque é que esta aliança cria buzz instantâneo
Estratégia de lançamento Lançamento surpresa, teasing mínimo, grande foco nos bastidores Identificar táticas reproduzíveis para os próprios projetos
Lógica viral Refrão curto, momentos “meme-áveis”, narrativa forte em torno do risco Ver como uma música se torna um fenómeno cultural partilhável

FAQ

  • A collab Esdeekid x Timothée Chalamet é real ou é só hype de marketing? É muito real no que toca à gravação e ao processo criativo, mas o rollout usou claramente marketing inteligente para gerar conversa rapidamente.
  • A faixa chegou mesmo aos 115 milhões de visualizações em 24 horas? Somando plataformas, sim: combinando YouTube, TikTok, reels e remisturas de formato curto, o número foi atingido num único dia.
  • O Timothée Chalamet está a planear um projeto musical completo depois disto? Não há nada confirmado até agora; apenas dicas brincalhonas em entrevistas, dizendo que está “aberto”, mas focado primeiro na representação.
  • O que é que isto significa para a carreira do Esdeekid? É um foco gigante, a levar o seu catálogo antigo a novos ouvintes e, provavelmente, a abrir portas para tournées maiores e parcerias com marcas.
  • Artistas independentes conseguem mesmo aprender alguma coisa com uma collab tão grande? Sim: não o poder de estrela, mas os princípios - parcerias inesperadas, storytelling visual forte e momentos com risco suficiente para valer a partilha.

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