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Este acessório de inverno raramente é lavado – e não são roupas nem lençóis.

Pessoa a guardar toalha num cesto, com detergente e rolo adesivo na mesa. Gato deitado no sofá ao fundo.

Numa noite fria, vestimo-nos por camadas em casa - mas há um essencial aconchegante que, muitas vezes, passa despercebido na nossa rotina de lavandaria.

Mudamos de roupa, trocamos a roupa da cama e arejamos as divisões, mas um item macio e reconfortante vai acumulando discretamente pó, suor e pelos de animais durante toda a estação.

Aquele acessório de inverno que quase nunca lava

Pergunte às pessoas com que frequência lavam as camisolas ou os lençóis e, normalmente, obtém uma resposta clara. Faça a mesma pergunta sobre as mantas e os xailes do sofá, e muitas vezes haverá uma pausa. Esses xadrezes grossos de inverno, mantas de polar e mantas decorativas ficam nas salas e nos quartos durante meses, usadas diariamente - e, no entanto, em muitas casas, quase não são lavadas.

No inverno, estes têxteis tornam-se uma segunda pele. Fazemos sestas debaixo deles, vemos séries enrolados neles e, por vezes, até comemos por cima deles. As crianças arrastam-nos pelo chão. Os animais de estimação transformam-nos no seu sítio preferido. Todo esse contacto deixa muito mais do que calor.

As mantas e os xailes funcionam como esponjas gigantes para suor, células da pele, alergénios e vida microscópica - sobretudo no inverno, quando as casas ficam mais fechadas.

Ao contrário de uma T-shirt, que vai diretamente para o cesto da roupa suja após uma ou duas utilizações, uma manta no sofá pode ficar lá semanas. Muitas pessoas esperam que “pareça suja” para a lavar. Nessa altura, normalmente já está cheia de “convidados” invisíveis.

O que é que, de facto, se acumula nas mantas no inverno?

Especialistas em higiene e dermatologistas alertam que os xailes pouco lavados têm os mesmos problemas que lençóis negligenciados - e, por vezes, ainda mais. Cada vez que se enrosca debaixo de uma manta, deixa para trás vestígios de si e do ambiente.

Mistura invisível: suor, pele e micróbios

O nosso corpo perde milhares de células de pele a cada hora. Essas partículas acumulam-se nas fibras e alimentam os ácaros do pó. Estes ácaros - e, sobretudo, os seus dejetos - podem desencadear alergias e agravar crises de asma. Junte-se a humidade do suor e da respiração e obtém-se um microclima ideal para bactérias e fungos.

Os investigadores estimam que o corpo humano pode produzir cerca de duas dezenas de litros de suor por ano - e ainda mais em pessoas que aquecem facilmente ou dormem com calor. Noite após noite, ou fim de tarde após fim de tarde, parte dessa humidade acaba nas suas mantas e xailes.

Calor + humidade + resíduos orgânicos criam um pequeno ecossistema dentro da sua manta favorita - muito antes de surgir qualquer cheiro.

Além disso, acumulam-se alergénios comuns dentro de casa:

  • Pó doméstico e partículas minúsculas de alcatifas e do chão
  • Pólen trazido do exterior na roupa e no cabelo
  • Pelos e escamas (caspa) de gatos, cães ou pequenos animais
  • Migalhas de comida que atraem bactérias e, em alguns casos, insetos

Para a maioria dos adultos saudáveis, este “cocktail” pode causar apenas uma irritação ligeira. Mas, para pessoas com pele sensível, eczema, asma ou alergias sazonais, pode transformar rapidamente noites aconchegantes em comichão, espirros e nariz entupido.

Quando o “aconchego” se transforma num problema de saúde

Irritação respiratória e alergias

Mantas cheias de pó e ácaros podem irritar as vias respiratórias, sobretudo no inverno, quando passamos mais tempo em casa e mantemos as janelas fechadas. Isso pode significar:

  • Congestão matinal ou nariz entupido após dormir debaixo de uma manta raramente lavada
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes durante maratonas de televisão no sofá
  • Tosse mais frequente ou comichão na garganta ao final do dia
  • Sintomas de asma que pioram à noite ou durante o descanso

Como estes sintomas surgem muitas vezes de forma gradual, muitas pessoas culpam “a estação” ou uma constipação, em vez de olharem para os têxteis com que convivem todos os dias.

Problemas de pele e contacto direto

Os dermatologistas veem regularmente doentes cujas crises têm um gatilho simples: têxteis sujos. O contacto prolongado com uma manta contaminada pode contribuir para:

  • Pele irritada, seca ou com prurido nos braços e nas pernas
  • Dermatite de contacto em pessoas com pele muito reativa
  • Acne nas costas ou nos ombros ao descansar com a pele exposta sob um xale sujo

Acrescente mais um fator: se vários membros da família partilham a mesma manta no sofá, bactérias e leveduras passam facilmente de uma pessoa para outra.

Mantas, xailes e xadrezes: com que frequência os deve lavar?

Atualmente, especialistas em higiene tendem a colocar os xailes e mantas de inverno na mesma categoria dos lençóis quando falam de frequência de lavagem. Muitos recomendam lavá-los aproximadamente de duas em duas semanas quando há utilização intensa, sobretudo se estiverem em contacto direto com a pele.

Regra prática: se se senta, faz sestas ou dorme debaixo de um xale na maioria dos dias, ele deve entrar na sua rotação regular de lavagens - e não na pilha do “de vez em quando”.

Vários fatores podem justificar lavagens mais frequentes:

  • Come frequentemente no sofá, enrolado na manta
  • Vive com gatos ou cães que dormem no mobiliário
  • Você ou alguém da família sofre de alergias, eczema ou asma
  • Alguém em casa está doente ou tem o sistema imunitário fragilizado

Para xailes decorativos que mal tocam na pele e ficam quase sempre intactos ao fundo da cama, uma lavagem mensal (aproximadamente) pode ser suficiente, desde que os sacuda e areje regularmente.

Como lavar xailes de inverno sem os estragar

Verifique a etiqueta e depois ajuste à sua realidade

As etiquetas de cuidados indicam, normalmente, uma temperatura máxima e o programa recomendado. Para conciliar higiene e segurança do tecido, um ciclo delicado entre 30°C e 40°C funciona para a maioria dos xailes sintéticos ou de fibras mistas. Mantas de lã ou caxemira costumam precisar de água mais fria ou de um ciclo específico para lã.

Tipo de manta Lavagem recomendada Frequência sugerida (inverno)
Manta de polar ou poliéster 30–40°C, ciclo delicado, centrifugação baixa A cada 2 semanas
Xadrez de algodão ou mistura de algodão 40°C, ciclo normal ou delicado A cada 2–3 semanas
Manta de lã Frio ou ciclo de lã, detergente para lã A cada 4 semanas, mais se usada diariamente
Manta decorativa de cama Conforme a etiqueta, muitas vezes delicado A cada 4–6 semanas

A secagem é tão importante como a lavagem. Mantas grossas que ficam húmidas durante demasiado tempo podem ganhar cheiro a mofo e favorecer o aparecimento de bolor. Quando possível, seque-as completamente numa máquina de secar em programa baixo ou pendure-as numa divisão bem ventilada, virando-as ocasionalmente.

O que fazer se tem animais de estimação ou come no sofá

Casas com animais de estimação ou jantares frequentes no sofá exigem hábitos mais rigorosos. Nestas situações, muitos especialistas recomendam lavagens semanais para a principal “manta da família” no sofá, ou pelo menos um limite firme de duas semanas.

Hábitos simples ajudam entre lavagens:

  • Sacudir as mantas no exterior uma ou duas vezes por semana para remover pelos soltos e pó
  • Usar um rolo adesivo para apanhar pelos e migalhas antes de se deitar ou ver televisão
  • Manter um xale separado e lavável especificamente para os animais
  • Aspirar o sofá regularmente, incluindo por baixo e atrás das almofadas

Porque é que o inverno agrava este problema

Os hábitos sazonais amplificam os problemas de higiene associados às mantas. Nos meses frios, as janelas ficam fechadas durante mais tempo, o aquecimento seca o ar e as famílias juntam-se mais na sala. Esta combinação retém poluentes e alergénios no interior.

No inverno, as mantas fazem trabalho a dobrar: aquecem-nos, mas também transportam muito do que as casas já não conseguem ventilar para o exterior.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas reduzem a secagem ao ar livre por causa da chuva e das baixas temperaturas. As lavagens são priorizadas: roupa interior, roupa de trabalho, roupa das crianças. Itens volumosos, como xailes e mantas, parecem menos urgentes e acabam por ficar no fim da lista.

Melhorias simples na sua rotina de higiene no inverno

Repensar o seu calendário de lavandaria

Uma abordagem prática é tratar as mantas do sofá como “semi-roupa de cama”. Em vez de as lavar apenas quando nota um cheiro, atribua-lhes um dia fixo na sua agenda. Por exemplo, faça uma rotação:

  • Uma lavagem semanal para roupa e roupa interior
  • Uma lavagem semanal ou quinzenal para lençóis e fronhas
  • Uma lavagem dedicada, de duas em duas semanas, para mantas e xailes

Optar por tecidos de secagem rápida também ajuda. Xailes leves de polar e microfibra secam muitas vezes mais depressa do que malhas pesadas, o que é útil em apartamentos pequenos ou em casas sem máquina de secar.

Qualidade do ar, colchões e o panorama geral

As mantas são apenas uma parte da história. Quartos e salas ficam mais saudáveis quando todo o “ecossistema de superfícies macias” recebe atenção. Colchões com bom arejamento e respirabilidade reduzem a acumulação de humidade e limitam o crescimento de fungos. Protetores de colchão, lavados regularmente, acrescentam outra barreira entre o seu corpo e o núcleo da cama.

Abrir as janelas por apenas dez minutos por dia, mesmo no inverno, ajuda a renovar o ar e a reduzir picos de humidade criados pelos aquecedores e pela presença humana. Combinada com lavagens mais consistentes de xailes e roupa de cama, esta pequena mudança pode aliviar alergias e ajudar a dormir com mais conforto.

Em casas com crianças pequenas, familiares idosos ou pessoas com doença respiratória crónica, estes hábitos são ainda mais importantes. Mantas limpas com regularidade, colchões respiráveis e rotinas simples de arejamento reduzem a carga microbiana em casa e diminuem o risco de infeções ligeiras que tendem a circular no inverno.

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