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Más notícias: A partir de 22 de dezembro de 2025, será proibido cortar relva entre o meio-dia e as 16h em 26 departamentos.

Homem corta relva ao sol, com garrafa de água e chapéu ao lado. Calendário marca 22 Dez 2025. Relógio aponta 9:38.

Sábado, 13h15.

Num sossegado beco sem saída na França provincial. O ar tremeluz, as crianças guincham numa piscina insuflável e, algures, um acendedor de churrasco estala nervosamente. Depois começa o rugido familiar: um vizinho puxa o corta-relva para fora, óculos de sol postos, pronto para atacar a selva em que o relvado se transformou. Duas passagens depois, desliga o motor, consulta o telemóvel e franze o sobrolho. A mulher inclina-se à janela:

“Sabes que isso agora está proibido, não sabes? Do meio-dia às quatro. Aprovaram isso.”

Ele ri-se, mas depois vê a enxurrada no WhatsApp do grupo da rua: capturas de ecrã de um decreto, mensagens de voz exaltadas, um vizinho já a ameaçar “ligar para a mairie”. O corta-relva fica plantado a meio do relvado, como um carro abandonado num campo. O sol aperta. A tensão também.

Em 22 de dezembro de 2025, essa cena torna-se bem real para milhões de pessoas.

Uma proibição que acerta em cheio no meio da vida quotidiana

A nova regra é brutalmente simples: em 26 departamentos franceses, cortar a relva é proibido entre as 12h e as 16h a partir de 22 de dezembro de 2025. Sem exceções para “só 10 minutos”, sem piscadelas do vizinho do outro lado da sebe. Para quem trabalha no horário clássico de escritório, isto invade diretamente o único grande bloco de luz do dia em que, normalmente, se põe a jardinagem em dia.

No papel, quatro horas parecem pouco. Na vida real, é exatamente quando muitas famílias equilibram idas a treinos, compras e o célebre “vou só cortar a relva depressa antes de chegarem os convidados”. A lei não mexe apenas com relvados. Mexe com a forma como os fins de semana se sentem.

Veja-se o caso de Julien, 39 anos, a viver num loteamento periurbano perto de Lyon. Dois filhos, escritório de segunda a sexta, com deslocações incluídas. O ritual era claro: café, recados e depois uma grande sessão de corta-relva em sábados alternados por volta das 13h30. Menos calor, miúdos a dormir a sesta, menos vizinhos nas esplanadas/terraços. A partir de dezembro de 2025, esse horário desaparece.

Da última vez que tentou cortar cedo, de manhã, o adolescente saiu a bater com os pés em calças de pijama, furioso por ter sido acordado às 8h, e a ameaçar ir viver com a avó. A tentativa seguinte, ao fim da tarde, foi interrompida por um aviso de tempestade. Julien brinca agora dizendo que precisa de um Doodle só para encontrar uma janela de 45 minutos para cortar a relva. Por trás da piada, há um stress muito prático: adaptar-se ou arriscar um aviso - ou uma multa.

As autoridades justificam a proibição com três argumentos interligados: saúde, ruído e clima. Cortar a relva nas horas de maior calor aumenta o risco de insolação para quem o faz, sobretudo idosos e pessoas com problemas cardíacos. Os motores acrescentam calor e ruído a bairros que já estão a cozer sob verões mais longos e agressivos. A isto soma-se a vida selvagem: aves, polinizadores e pequenos mamíferos estão sob pressão em relvados curtos e excessivamente “geridos”.

A pausa ao meio-dia pretende criar uma espécie de “janela de silêncio” em que ecossistemas e pessoas respiram. Os legisladores apostam também numa mudança subtil de hábitos: ao empurrar o corte para horas mais frescas, esperam incentivar cortes menos frequentes e relva um pouco mais alta. Não é uma revolução, mas um desvio lento da obsessão pelo relvado estilo campo de golfe.

Como organizar a sua vida em torno de um apagão de corte entre as 12h e as 16h

A primeira medida prática é quase aborrecida: mapear as suas janelas reais para cortar a relva. Olhe para a semana e escreva, de forma concreta, os períodos fora das 12h–16h em que está efetivamente em casa, com tempo e sem andar a transportar miúdos de um lado para o outro. As primeiras horas da noite em dias úteis na primavera, por exemplo, são mais úteis do que pensamos. Os dias são mais longos, o calor abranda, e muitos vizinhos ainda estão a trabalhar ou presos no trânsito.

O truque é tratar o corte da relva como um compromisso, e não como algo feito “quando der”. Quando é aleatório, cai sempre na zona proibida. Quando está no calendário - sim, como uma reunião - deixa de chocar com a regra e com a vida.

O segundo passo é encurtar a tarefa em si. Muita gente corta demasiado baixo e com demasiada frequência, o que significa mais tempo, mais passagens, mais ruído. Se subir a altura de corte um nível e espaçar um pouco mais as sessões, o relvado continua com bom aspeto para receber visitas, mas deixa de estar preso ao corta-relva todos os fins de semana.

Sejamos honestos: ninguém faz realmente aquela rotina perfeita de “a cada 7 dias” de que falam os livros de jardinagem. Entre chuva, ondas de calor, greves e visitas de família, o mundo real ri-se desse calendário. Aceitar que, por vezes, o relvado vai ficar um pouco mais comprido - e que isso está bem - reduz a pressão e encaixa melhor com a proibição ao meio-dia.

Uma terceira alavanca é social, não técnica. Fale com os vizinhos mais próximos antes de a regra “morder”. Explique quando planeia cortar a relva e pergunte pelos ritmos deles. Este tipo de conversa evita muita guerra fria de espreitar por trás das cortinas ou queixas súbitas de ruído.

“Não podemos lutar contra o decreto”, diz Claire, vereadora municipal num dos departamentos afetados. “O que podemos fazer é baixar a raiva ajudando as pessoas a organizarem-se em torno disto, em vez de o descobrirem através de uma multa.”

Para quem precisa de uma lista rápida, aqui vai uma estrutura simples a ter em mente:

  • Escolha 2–3 horários fixos para cortar a relva fora das 12h–16h e mantenha-os na maioria das semanas.
  • Aumente a altura de corte para reduzir a frequência e o esforço do motor.
  • Avise os vizinhos do novo horário e, quando possível, combinem dias mais silenciosos.

Para lá da proibição: o que esta regra diz sobre os nossos verões

Este “apagão” de corte ao meio-dia não cai do nada. Surge após anos de ondas de calor, alertas de canicule e manchetes sobre urgências hospitalares a rebentar pelas costuras. Muitas câmaras municipais já proibiam ferramentas ruidosas durante as horas de almoço ou de sesta por decreto local. A regra nacional ou departamental apenas torna explícito aquilo que, em alguns sítios, já era um código de conduta não oficial.

Ao nível humano, a proibição toca na nossa imagem da “vida boa”: uma casa arrumada, um relvado direito, o controlo do fim de semana sobre o nosso espaço. Dizerem-nos quando podemos ou não empurrar um corta-relva sente-se estranhamente íntimo, quase como se alguém estivesse a marcar o nosso tempo livre por nós.

Alguns vão acolher o silêncio: trabalhadores por turnos a tentar dormir às 13h, pais de crianças pequenas gratos por menos uma fonte de ruído durante as batalhas da sesta, reformados para quem o calor é uma parede. Outros verão isto como mais uma regra, mais um sinal de que jardins privados estão a ser regulados como parques públicos.

O mais impressionante é como uma restrição técnica aparentemente pequena se torna um espelho. Mostra a nossa relação com o ruído, com a natureza, até com os vizinhos. Numa rua suburbana, esse intervalo das 12h–16h pode tornar-se o único período em que as pessoas ouvem verdadeiramente pássaros, vozes e o zumbido distante da vida sem máquinas.

Todos já tivemos aquele momento em que uma tarde de verão parece suspensa, sem nada mecânico a cortar o ar. Esta regra, goste-se ou odeie-se, empurra essa sensação para a lei. Vai irritar uns, aliviar outros e obrigar quase toda a gente nesses 26 departamentos a ajustar uma pequena rotina que parecia inegociável.

Muitos vão contornar a regra discretamente numa terça-feira nublada ou depois de um turno tardio - sabemos como a vida real funciona. Ainda assim, a mensagem é difícil de ignorar: os nossos verões estão a ficar demasiado quentes, demasiado barulhentos e demasiado frágeis para continuarmos a agir como se cada hora fosse nossa para encher de motores.

A pergunta que fica por trás desta proibição é simples e ligeiramente inquietante: se começamos a abdicar deste intervalo por causa do calor e do silêncio, de que mais nos vão pedir que abdiquemos a seguir?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Nova proibição de cortar relva ao meio-dia A partir de 22 de dezembro de 2025, é proibido cortar relva entre as 12h e as 16h em 26 departamentos Saber exatamente quando arrisca uma multa ou conflito com vizinhos
Adaptação da rotina Planear horários de manhã ou ao fim da tarde, aumentar a altura de corte, reduzir a frequência Manter o relvado apresentável sem sacrificar os fins de semana ou a paz em casa
Impacto social e ambiental Menos ruído nas horas mais quentes, menor risco para a saúde, ligeiro alívio para a fauna local Perceber como uma pequena mudança pessoal encaixa numa história maior sobre verão e clima

FAQ

  • Quais são exatamente os 26 departamentos afetados pela proibição?
    Estão listados no decreto oficial publicado antes de 22 de dezembro de 2025. Consulte o site da prefeitura do seu departamento (préfecture) ou os editais/quadros de avisos da câmara municipal (mairie) para ver a lista exata e eventuais extensões locais.
  • A regra abrange todas as máquinas de jardim ou apenas corta-relvas?
    O texto visa o corte de relva em sentido lato, mas muitos regulamentos locais também restringem outras ferramentas ruidosas, como corta-sebes e sopradores de folhas, durante as mesmas horas. Leia sempre a redação local, não apenas as manchetes.
  • O que acontece se eu cortar a relva à 13h na minha propriedade privada?
    Arrisca um aviso, uma participação à mairie e, em casos repetidos ou particularmente ruidosos, uma multa. O valor e o procedimento variam localmente, mas “é o meu jardim” não se sobrepõe à proibição horária.
  • Os corta-relvas elétricos ou robóticos são tratados de forma diferente?
    São mais silenciosos e menos poluentes, mas, por agora, a maioria dos textos não os distingue claramente. Alguns municípios toleram robôs silenciosos ao meio-dia; outros não. Em caso de dúvida, ligue para a sua mairie antes de investir.
  • Condomínios ou senhorios podem impor regras mais restritivas do que o decreto?
    Sim. Regulamentos de condomínio e contratos de arrendamento podem definir horários mais apertados, desde que não contrariem a lei nacional. Leia o regulamento do prédio ou do loteamento: a janela do meio-dia pode ser apenas um de vários limites.

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