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Pouca gente sabe, mas pessoas inteligentes dizem isto quando discordam.

Homem e mulher conversam à mesa de cozinha, ele levanta a mão, há uma caneca e laranjas sobre a mesa.

Uma pequena mudança na forma como expressa a discordância pode acalmar os ânimos, salvar relações e até mudar a forma como as pessoas o veem.

Em escritórios, conversas de grupo e jantares de família, a tensão muitas vezes nasce menos do tema em si do que da maneira como a discordância é expressa. Uma frase simples, usada por pessoas com fortes competências emocionais e sociais, está a transformar discretamente a forma como os conflitos se desenrolam.

A frase curta em que as pessoas emocionalmente inteligentes confiam

Os psicólogos apontam para uma expressão que aparece repetidamente em pessoas que lidam bem com conflitos:

“Não concordo contigo, mas respeito o teu ponto de vista.”

À primeira vista, soa quase desapontantemente comum. Sem palavras da moda, sem jargão terapêutico, sem resposta espirituosa. No entanto, numa conversa, esta frase muitas vezes funciona como uma válvula de alívio. Sinaliza a discordância com clareza, ao mesmo tempo que reduz a vontade de atacar, de se defender ou de “ganhar”.

O que está por detrás desta frase é o que os especialistas chamam de inteligência emocional e inteligência social: sabe o que pensa, percebe o que a outra pessoa pode estar a sentir e fala de uma forma que protege a relação.

Porque é que pessoas inteligentes não tentam “ganhar” a discussão

Pessoas altamente analíticas aprenderam uma verdade difícil: tentar dominar um debate costuma sair pela culatra. Quanto mais pressiona, mais a outra pessoa se entrincheira. Os factos deixam de importar. O ego assume o controlo.

Pessoas com melhores competências emocionais seguem um caminho diferente. Encaram a conversa como uma troca, não como um campo de batalha. Para elas, discordar não é uma ameaça à identidade, mas uma parte normal de conviver com outros seres humanos.

O objetivo muda de “provar que tenho razão” para “manter a ligação enquanto vemos as coisas de forma diferente”.

É aqui que a frase ganha força. Quebra o padrão habitual. Em vez de atacar (“Isso é ridículo”) ou evitar (“Deixa lá, não vale a pena”), marca uma linha clara: discordamos, e a relação continua a importar.

Como a frase é construída: duas metades, duas formas de inteligência

“Não concordo contigo”: assumir a sua posição

A primeira metade faz algo que muitas pessoas têm dificuldade em fazer. Define um limite sem agressividade:

  • Mostra que tem a sua própria perspetiva.
  • Mantém o foco na ideia, não na pessoa.
  • Sinaliza honestidade: não está a fingir que concorda só para manter a paz.

Esta parte reflete o que os psicólogos chamam de inteligência intrapessoal: sabe o que pensa e sente-se capaz de o dizer. Não se dobra para se ajustar ao grupo. Não fica em silêncio por medo do conflito.

“Mas respeito o teu ponto de vista”: proteger o vínculo

A segunda metade estende a mão à outra pessoa. Diz: continuas a ser legítimo aqui, mesmo que eu discorde de ti. A tua perspetiva tem lugar nesta conversa.

A palavra “mas”, aqui, liga duas ideias em tensão, sem transformar as pessoas em adversários. Contrasta opiniões, não identidades.

É aqui que entra a inteligência interpessoal: a capacidade de se relacionar com os outros, de ler o peso emocional da situação, de ajustar as palavras para que a discordância não se torne rejeição.

Muitas pessoas usam “Sim, mas…” como uma forma disfarçada de desvalorizar. Nesse caso, o “mas” apaga o que veio antes. Aqui, a estrutura funciona de forma diferente: mantém as duas verdades em cima da mesa. Eu discordo de ti, e continuo a ver-te como alguém digno de respeito.

O que esta abordagem muda, na prática, na vida real

Da explosão emocional à validação emocional

Quando as pessoas se sentem julgadas ou diminuídas, raramente ouvem. Protegem-se. As vozes sobem, surge o sarcasmo, ou instala-se o silêncio. A conversa morre ou torna-se tóxica.

Ao dizer que respeita a visão da outra pessoa, dá-lhe algo de que muitos de nós precisamos: validação emocional. Não está a dizer que ela tem razão. Está a dizer que a perceção dela lhe pertence e que não está a tentar tirá-la.

Discordar de uma conclusão não é o mesmo que negar os sentimentos ou a experiência vivida de alguém.

Isto é especialmente valioso em temas acesos: política, dinheiro, parentalidade, identidade, decisões de trabalho. Em vez de exigir que a outra pessoa abandone a posição dela, começa a partir de um lugar de “vejo que tu vês isto de forma diferente”.

Exemplos em situações do dia a dia

Contexto Reação típica Versão emocionalmente inteligente
Reunião de trabalho “Esse plano não faz sentido nenhum.” “Não concordo com esta abordagem, mas respeito o raciocínio por detrás dela.”
Discussão em família “Estás a ser irracional.” “Não concordo contigo, mas respeito de onde vens.”
Debate online “Isto está errado, faz a tua pesquisa.” “Vejo isto de forma diferente, mas respeito o teu direito de veres as coisas assim.”

Em cada caso, a mudança é subtil à superfície e drástica por baixo. O tom muda. A probabilidade de uma resposta calma aumenta. Mantém a porta aberta para nuance, dados adicionais ou até uma mudança parcial de opinião.

Como esta frase constrói confiança ao longo do tempo

Quando as pessoas ouvem de si, repetidamente, que discordar não é o mesmo que rejeitar, relaxam à sua volta. Sabem que podem trazer opiniões reais para a mesa sem serem castigadas.

Isto funciona em quase todos os contextos:

  • Amizades: conseguem falar de política, escolhas de estilo de vida ou relações sem se cortarem mutuamente.
  • Família: diferenças geracionais parecem menos guerras e mais trocas.
  • Local de trabalho: membros da equipa atrevem-se a desafiar ideias, o que muitas vezes leva a melhores decisões.

Com o tempo, as pessoas começam a testar a sua consistência. Podem trazer uma opinião mais arriscada, uma confissão ou uma dúvida. Se responder com a mesma combinação de honestidade e respeito, a confiança aprofunda-se. Os conflitos continuam a surgir, mas tendem a manter-se geríveis.

Limites, riscos e quando a frase não chega

Esta abordagem tem limites. Respeitar a perspetiva de alguém não significa desculpar comportamentos nocivos, abuso ou discriminação. Nesses casos, a clareza e a proteção vêm primeiro. A frase ainda pode ajudar, mas pode ser necessária uma ação firme a seguir.

Há também o risco de soar robótico se repetir a frase exata de forma mecânica. As pessoas percebem quando as palavras vêm do hábito, e não de uma intenção genuína. A mentalidade por detrás da frase importa tanto quanto a formulação.

Algumas variações ajudam a mantê-la viva e pessoal:

  • “Vejo isto de forma diferente, mas respeito a tua opinião.”
  • “Discordo da tua conclusão e, ainda assim, respeito a tua perspetiva.”
  • “Não é assim que eu interpreto, mas percebo porque é que o vês dessa forma.”

O núcleo mantém-se: discordância clara mais respeito claro.

Treinar-se para usar isto no calor do momento

Dizer a coisa certa enquanto a frequência cardíaca sobe é uma competência. O cérebro adora atalhos e, em conflito, costuma recorrer a ataque, defesa ou fuga.

Uma forma prática de treinar esta frase é ensaiá-la antes de precisar dela. Pense numa discussão recente. Imagine fazer uma pausa, respirar uma vez, e responder com esta estrutura. Escreva-a. Diga-a em voz alta. Está a criar um novo reflexo.

Um micro-hábito simples: quando sentir vontade de dizer “Estás errado”, mude para “Não concordo contigo, mas respeito o teu ponto de vista.”

Com o tempo, pode acrescentar uma camada extra: mostrar que ouviu algo específico. Por exemplo: “Não concordo contigo, mas respeito o teu ponto de vista, sobretudo a tua preocupação com o custo.” Isto demonstra escuta ativa e reduz a sensação de estar a ser desvalorizado.

Ir mais longe: de uma única frase para um kit completo de gestão de conflitos

Esta frase não é magia, mas pode servir como porta de entrada para um conjunto mais amplo de competências relacionais. Pode combiná-la com perguntas abertas como:

  • “O que te levou a essa conclusão?”
  • “Que experiência moldou essa perspetiva para ti?”
  • “Que parte disto é mais importante para ti?”

Estas perguntas enviam um segundo sinal: não está apenas a tolerar educadamente a perspetiva da outra pessoa; está disposto a compreender as raízes dela. Isto muitas vezes revela medos, valores ou acontecimentos passados por detrás de uma opinião forte.

Usada com regularidade, esta abordagem alarga o seu próprio pensamento. Afasta-se de molduras mentais rígidas e aproxima-se de um mapa da realidade mais flexível. Isso não significa perder convicções. Significa reconhecer que várias verdades parciais podem coexistir e que a discordância respeitosa pode afiar as suas ideias em vez de quebrar as suas relações.

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