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Se alguém te menospreza, esta é a melhor resposta a dar.

Homem gesticulando pausa em reunião, sentado à mesa com caderno aberto, copo de água e planta ao fundo.

Quando alguém continua a minar a tua confiança, o instinto é ripostar.
Outra resposta protege, discretamente, a tua sanidade.

A maioria de nós tenta rodear-se de pessoas que reconhecem o nosso valor e nos ajudam a crescer. A realidade, muitas vezes, é bem diferente - sobretudo no trabalho, onde ambição, insegurança e política se cruzam.

Quando comentários do dia a dia se transformam num padrão

Uma observação cortante, solta, pode acontecer a qualquer pessoa. As pessoas ficam stressadas, atrapalham-se com as palavras, estão distraídas com os seus próprios problemas. Uma frase infeliz não define alguém. Um padrão, sim.

Os psicólogos falam de “comportamento depreciativo” quando alguém, repetidamente, mina a tua reputação, as tuas relações ou as tuas hipóteses de sucesso. É menos visível do que o bullying explícito, mas o efeito-gota pode ser igualmente destrutivo.

Desvalorizar é uma estratégia: com o tempo, corrói a tua capacidade de construir relações sólidas, ter bom desempenho no trabalho e sentir-te respeitado.

Num contexto profissional, isto costuma passar despercebido. Não há gritos, nem insultos diretos. Em vez disso, os ataques chegam embrulhados em piadas, “conselhos” ou falsa preocupação. Nos bastidores, porém, a tua imagem vai-se desgastando.

Como identificar alguém que te está sempre a rebaixar

Antes de decidires como reagir, precisas de ver com clareza com quem estás a lidar. Isso implica separar a mera falta de jeito social de um padrão consistente de sabotagem.

Sinais de alerta no comportamento

  • Desvalorizam regularmente outras pessoas, não apenas a ti.
  • Sentes-te tenso ou na defensiva sempre que estão por perto.
  • O feedback vem como julgamentos duros, raramente como ajuda concreta.
  • Os “elogios” trazem um ferroada ou uma comparação que te diminui.
  • Apresentam-se como teus aliados, mas discretamente desviam-te dos teus objetivos.
  • Desvalorizam os teus sucessos ou reinterpretam-nos como sorte ou trabalho de outra pessoa.

Com o tempo, o corpo muitas vezes reage antes de a mente acompanhar. Um nó no estômago antes de uma reunião. Dificuldade em dormir depois de uma interação. Essa carga emocional é uma pista de que há algo desalinhado na relação.

Porque é que algumas pessoas precisam de te puxar para baixo

Nem toda a gente que rebaixa os outros é um vilão de banda desenhada. Uns sentem-se ameaçados pela tua competência, juventude ou experiência. Outros cresceram em famílias competitivas, onde troça e crítica eram tratadas como humor. Alguns aprenderam que diminuir os outros lhes dá poder - mesmo que temporário.

Isto não desculpa o comportamento, mas ajuda-te a evitar a armadilha do “O que é que há de errado comigo?” e a mudar a pergunta para “O que é que os move?”. Essa mudança de perspetiva é importante para a tua saúde mental.

O que um novo estudo revela sobre a “melhor resposta”

Uma equipa de investigação no Instituto Universitário de Lisboa concentrou-se numa pergunta-chave: quando alguém te rebaixa repetidamente no trabalho, que reação te protege mais?

Acompanharam 229 trabalhadores, com cerca de 36 anos em média, e perguntaram-lhes várias vezes ao longo de um mês sobre três aspetos: com que frequência se sentiam desvalorizados, se perdoavam o agressor e como se sentiam emocional e fisicamente.

Fator medido O que incluía
Emoções negativas Medo, nervosismo, irritabilidade, hostilidade, frustração, angústia
Sintomas físicos Problemas de sono, dores de cabeça, dores nas costas, fadiga, falta de energia
Estilo de resposta Disponibilidade para perdoar vs desejo de vingança

O padrão encontrado foi marcante. Os trabalhadores que se sentiam fortemente desvalorizados relatavam mais emoções negativas. Essas emoções, por sua vez, coincidiam com um aumento de queixas físicas - desde insónia a dores inexplicáveis e exaustão.

Entre todas as reações estudadas, só uma reduziu claramente o impacto emocional e físico de ser rebaixado: optar por perdoar.

Perdoar, neste contexto, não significava fingir que nada aconteceu ou ficar calado. Significava largar a vontade de magoar de volta e libertar a repetição mental da ofensa. Segundo os investigadores, essa mudança ajuda a travar o ciclo de ruminação e emoções corrosivas.

Porque é que a vingança não te faz sentir melhor

Muitas pessoas fantasiam com a resposta perfeita, a humilhação pública, o momento em que o agressor “recebe o que merece”. Na cultura popular, a vingança parece purificadora. O estudo de Lisboa sugere algo diferente.

Os participantes que tendiam para a vingança não viram a sua angústia diminuir. Os sentimentos negativos mantinham-se ou intensificavam-se. E o corpo acompanhava: mais stress, mais sintomas físicos.

A vingança mantém-te mentalmente preso à pessoa que te magoou. O perdão corta a corda.

Do ponto de vista psicológico, a vingança prolonga o contacto. Continuas a pensar nessa pessoa, a planear, a revisitar cada detalhe. O sistema nervoso fica em alerta máximo. O perdão não apaga o passado, mas impede que continues a alimentar esse circuito.

Como é que o perdão se traduz, na prática, no trabalho

Perdoar no trabalho não é o mesmo que aceitar cegamente. Podes perdoar por dentro e, ainda assim, estabelecer limites claros no mundo real.

Uma resposta prática em três passos

  • Reconhece o padrão. Diz a ti próprio o que está a acontecer: “Esta pessoa desvaloriza-me com regularidade.” Ajuda a separar o comportamento dela do teu valor.
  • Decide o que deixas de carregar. Largas a fantasia da vingança e a necessidade de aprovação. Escolhes não deixar que as palavras dela definam a tua autoimagem.
  • Ajusta o teu comportamento. Reduzes o contacto privado, manténs registos escritos quando necessário e redirecionas a energia para aliados e para o teu trabalho.

Aqui, o perdão torna-se uma estratégia de higiene mental. Limpas o espaço interior para que o comportamento dessa pessoa fique na categoria de “dados”, não na categoria de “identidade”.

Definir limites sem escalar o conflito

Por vezes, uma frase calma muda a dinâmica. Expressões curtas e neutras funcionam melhor do que discursos emocionais. Exemplos:

  • “Esse tipo de comentário não é útil para o trabalho que precisamos de fazer.”
  • “Prefiro feedback focado na tarefa, não em mim enquanto pessoa.”
  • “Parece que temos perspetivas diferentes. Vamos ficar pelos factos.”

Estas respostas mostram que percebes o jogo e não vais jogá-lo. Não espelhas agressividade com agressividade, o que muitas vezes te protege em ambientes onde existem desequilíbrios de poder.

Proteger a tua saúde mental e física

O estudo liga a desvalorização não só a um humor mais baixo, mas também a sintomas somáticos. Isto importa para quem pensa “São só palavras”. O corpo nem sempre concorda.

A exposição crónica a desprezo ou humilhação subtil pode esgotar o teu sistema de stress. Os músculos ficam tensos, o sono torna-se superficial, a digestão ressente-se. Às vezes, as pessoas começam a duvidar de si mesmas simplesmente porque se sentem drenadas.

Quando perdoas, não estás a oferecer nada a quem te magoou. Estás a reduzir a renda que essa pessoa cobra na tua cabeça e no teu corpo.

A par do perdão, hábitos simples ajudam a reiniciar o sistema: pequenas pausas depois de reuniões difíceis, exercícios de respiração, uma breve caminhada ao ar livre, conversas com colegas que reconhecem claramente o teu valor.

Quando o perdão precisa de apoio

O perdão funciona melhor quando combinado com ação estrutural. Se a desvalorização passar para assédio, podes precisar de apoio dos Recursos Humanos, de um representante sindical ou de um consultor externo. Documenta incidentes: datas, palavras usadas, testemunhas. Clareza emocional e notas escritas tornam o teu caso mais forte.

Em algumas situações, a resposta mais saudável pode ser perdoar internamente e trabalhar para sair de um ambiente tóxico. O perdão torna-se então uma forma de partir sem carregar amargura a longo prazo - e não uma razão para ficar e absorver mais dano.

Transformar a experiência em algo útil

Ser rebaixado repetidamente muitas vezes muda a forma como apoias os outros. Muitas pessoas que passaram por isto tornam-se gestores, mentores ou colegas mais atentos. Reparam no suspiro silencioso numa reunião, no colega que deixa de participar, na piada que cai mal.

Um exercício concreto ajuda a mudar de vítima do padrão para agente ativo: escreve três situações em que te sentiste desvalorizado e, ao lado de cada uma, uma coisa que hoje farias de forma diferente. Pode ser uma frase que dirias, uma pessoa a quem pedirias apoio, ou um limite que estabelecerias.

Este tipo de reflexão não apaga o dano, mas transforma a experiência em conhecimento. Tornas-te alguém que consegue nomear a desvalorização quando ela aparece, proteger-se mais depressa e, por vezes, mudar discretamente a cultura à tua volta.

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